Seja qual for o motivo, cada vez mais cresce o número de pessoas adeptas ao vegetarianismo ou ao veganismo. Para as mulheres que estão tentando engravidar ou que já estão grávidas e seguem uma dessas dietas, podem surgir dúvidas referentes à ingestão ideal de nutrientes tanto para a mãe quanto para o bebê.

Algumas pessoas associam o veganismo e o vegetarianismo com uma dieta pobre em nutrientes e que pode fazer mal ao bebê. Entretanto, essa é uma ideia totalmente equivocada, pois ambas as dietas são tão saudáveis quanto quaisquer outras formas de se alimentar.

Mesmo que haja o risco de deficiência nutricional, muitas pesquisas apontam que ambas as dietas são seguras durante a gravidez. Para que não haja carência de nutrientes, é importante que se tenha uma alimentação bem planejada e que seja contemplada a ingestão de alimentos de todos os grupos alimentares.

Dessa forma, é possível sim ser uma grávida vegetariana ou vegana e, ainda assim, ter todas as vitaminas, minerais e outros nutrientes necessários para a manutenção da gravidez. Aliás, ambas as dietas são apropriadas para todas as pessoas em qualquer fase da vida, seja gravidez, amamentação, infância, adolescência e, também, para atletas. Essa é uma posição que a Associação Dietética Americana aponta, um dos órgãos com maior conhecimento sobre o tema.

Inclusive, a prática do vegetarianismo durante a gravidez é relacionada com resultados positivos tanto para a saúde materna quanto a infantil. Alguns estudos apontam que mulheres grávidas e vegetarianas apresentam menor sobrepeso ao final do primeiro trimestre da gestação e, por isso, apresentam menos complicações. Caso a dieta inclua uma variedade de vegetais na alimentação, é possível que haja a mesma qualidade de nutrientes que uma dieta com carne também possui.

É preciso fazer suplementação?

Independentemente de qual dieta a gestante segue, é necessário que seja realizada suplementação de vitaminas no intuito de prover todos os nutrientes necessários durante a gestação. Dentre as vitaminas mais importantes, temos:

  • Ácido fólico: necessário para prevenir má formação do tubo neural, reduzindo em até 75% as chances de complicações no feto. O ideal é sua ingestão antes mesmo da concepção.
  • Ômega-3: auxilia na formação das células do sistema nervoso e reduzem as chances de parto prematuro.
  • Ferro: como o volume de sangue aumenta durante a gestação, é necessária a suplementação de ferro para evitar a anemia não só da mãe, mas também do bebê.
  • Vitamina B12: previne o descolamento da placenta.
  • Cálcio: atua na regulação sanguínea e fluxo de nutrientes.
  • Vitamina D: essencial para a formação dos ossos, bem como contribui para o bom funcionamento do sistema imunológico.

Como os vegetais tendem a ser alimentos com baixo teor de calorias, mulheres veganas podem precisar ingerir alimentos que contenham mais calorias no intuito de prover mais energia ao corpo, já que agora são dois organismos a serem sustentados. Uma forma pode ser escolhendo alimentos que contenham mais gordura na sua composição, como abacate, castanhas e feijão. Por isso, o acompanhamento com nutricionista é fundamental para as mamães vegetarianas e veganas, pois esse profissional pode indicar os alimentos ideais para realizar substituição, além da suplementação necessária.

frutas e legumes

Deve-se ter o cuidado na ingestão de carboidratos, pois essa pode ser a maior armadilha para quem é vegetariano ou vegano. Muitas vezes, no intuito de se ter um saciamento mais rápido, algumas mulheres começam a ingerir mais carboidratos, o que causará sobrepeso no final da gestação. A solução, normalmente, é trocar as farinhas refinadas por integrais, que irão prover maior sociedade e até estimular mais adequadamente o intestino, visto que a digestão durante a gravidez fica mais lentificada.

Além da preocupação com o meio ambiente, dietas como o vegetarianismo e o veganismo vem ganhando adeptos ao redor do mundo devido às suas boas evidências com relação à saúde. Dentre os benefícios que se podem citar é a redução do risco de doenças do coração, pressão alta, diabetes e câncer. Além disso, pesquisas apontam que dietas vegetarianas, combinadas com a ingestão de fibras e realização de exercícios físicos, podem evitar o desenvolvimento de diabetes gestacional e risco de pré-eclâmpsia.

Agora falando sobre o outro lado da história, uma má ingestão de alimentos e nutrientes necessários durante a gravidez podem provocar problemas sérios. Como cada estágio do desenvolvimento fetal necessita da transferência de nutrientes vindos da mãe, uma dieta que não provê tais nutrientes irá afetar seriamente o desenvolvimento do feto, provocando má formações.

Por isso, independente se você é adepta ou não a alguma dessas dietas, é essencial que se faça o acompanhamento com um profissional para verificar os níveis de nutrientes no corpo, suplementando aquilo que está deficiente e controlando o que pode se tornar um excesso.